segunda-feira, 16 de julho de 2012

Fogo - Prólogo


Como vocês bem sabem, estou lendo Fogo - Diários Não Expurgados (1934-1937) de Anaïs Nin, por ser um livro rico em conteúdo e complexidade, não pode ser lido como uma revista, tem que ser analisado e refletido. Não faço isso com a maioria dos livros que leio, pois infelizmente não são todos os autores que conseguem ser tão verdadeiros, intensos e cheios de vida como Anaïs.

Esse é o quarto livro dela que leio, é o quarto fragmento de seus diários que tenho o prazer de ter em mãos. Como é uma leitura vivenciada, resolvi contar a minha experiência em lê-lo antes de terminar, para que não fique dúvidas sobre o livro, irei comentar em duas partes, assim não ficará cansativo se visto superficialmente.
Pensei várias formas em como começar a escrever, mas a cada dia eu pensava em como mostrar para vocês a minha felicidade em ler Anaïs, fui ficando mais empolga em poder mostrá-la então pensei em escrever (em futuros posts) sobre todos os livros dela que li, então, acho melhor começar apresentando-a*.
Anaïs Nin
Anaïs é forte, sonhadora, dominadora, suave, educada, misteriosa, aberta, está em busca de um homem que a salve de todos os outros. Deseja muitas coisas, muitas vezes seus desejos são contraditórios, mas que para ela (e para mim) fazem muito sentido, ela não é uma mulher que aceita ser conduzida pelas pessoas, ela mesma faz seu caminho, que muitas vezes lhe tira a alma, mas que ao olhar para trás fica feliz por cada escolha feita. Ama muitos homens, e todos verdadeiramente. Não é capaz de mentir um amor para fazer os outros felizes, talvez essa seja uma de suas maiores qualidade, sua espontaneidade, sua vivacidade, sua intensidade!
Sim. Sua intensidade é o que mais atrai as pessoas e o que me prendeu a ela. Vai da vida à morte de sua alma em segundos. É capaz de reluzir igual a um anjo de tamanha felicidade, mas em segundos definha, adoece e sua alma morre, quando alguém diz a ela que tem que retornar a Paris. Para ficar ao lado dela (não só como companheiro mas também como telespectador de seus diários) tem que estar de mente e coração aberto para não julgá-la, não é preciso concordar ou discordar de tudo que ela faz, pensa ou fala, apenas observe atentamente cada movimento, cada viagem, palavra dita, desabafo contado, e tire lições para si.

Em sua vida só o que era constante eram seus namorados, seus amigos e seus diários. Em um trecho do livro ela se refere a vida comum** como “pessoas feitas de celofane” em outro ela diz: “As pessoas ao meu redor não mudam como eu. Tenho a impressão de que vivo rápido de mais e sempre à frente... Luto contra a mesmice” Todos os seus relacionamentos amorosos eram baseados em qualidades que ela gostaria de ter, então se aproximava de quem os possuía para tentar aprender. Como a serenidade e estabilidade de Hugh, a vida aventureira de Henry, a languidez e fragilidade de June***, e aproveitava esses relacionamentos também para exercer seu lado materno, cuidando de todos, fazendo com que tivessem auto-confiança e dando-lhes o sentimento de únicos em sua vida.

Essas são umas das milhares características de Anaïs que me encantam.
No livro Fogo ela conta com mais detalhes a convivência dela com o amante Henry, com o qual escreveu um diário duplo****, com os amigos de Henry, o fim de seu relacionamento com Hugh, e faz novas descobertas a respeito de si.
Sempre vale muito a pena ler a vida pelos olhos de Anaïs, ou para vermos que seus conflitos são contemporâneos. Ela também conta o dia-a-dia de como ela é como escritora, os problemas que enfrenta com disciplina, o que a inspira. Vejo que ela faz o que seria muito bom que todos fizessem, olhar para dentro.
Sua narrativa é tão envolvente que te faz sentir cheiro do mofo de sua casa em Paris, sentir a melancolia de Louveciennes
É isso, não queria ter estendido tanto, mas é inevitável fala de Anaïs e suas obras em poucas linhas, ainda mais quando se é apaixonada por ela.

*As informações gerais como nascimento, vida e morte é encontrado em todos os livros dela (a maioria é L&PM POCKET)
**
Estudar, ter um emprego fixo, casar, ter filhos e outras convenções normais da sociedade.
***Mulher de Henry com quem também teve um affair, contado no livro Henry & June
****Cartas de Amor lançado em 1987 por Gunther Stuhlmann

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